quinta-feira, 20 de novembro de 2014

20 de novembro: Dia da Consciência Negra



DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA


Aos poucos os eventos gaúchos atraíram a atenção da mídia nacional e de grupos negros de outros Estados, que também passaram a adotar o 20 de novembro. Finalmente, em 1978, o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial adotou a data, batizando-a de Dia Nacional da Consciência Negra. Mais recentemente os poderes públicos abraçaram a ideia, dando origem ao feriado de amanhã, celebrado em muitas cidades do País.

Em uma dissertação de mestrado apresentada no programa de pós-graduação em história da PUC de Porto Alegre, o jornalista negro Deivison Moacir Cezar de Campos sugere que os rapazes do Palmares foram subversivos. Porque fizeram um contraponto ao discurso oficial do regime militar, que exaltava as igualdades proporcionadas pela democracia racial e via no debate sobre o tema um fator de distúrbio. “Eles buscavam o reconhecimento das diferenças étnicas e das condições desiguais de acesso à cidadania e a integração socioeconômica”, diz a tese. E mais: “Colocaram-se contra o oficialismo ao defenderem a substituição de 13 de Maio, o Dia das Raças, pelo 20 de Novembro, Dia do Negro; ao proporem uma revisão da historiografia; ao afirmarem um herói não reconhecido.”

Hoje, muitas conquistas das comunidades negras estão presentes em nossa sociedade. Existem desafios que vamos enfrentando com participação de grupos organizados ou não. A Pastoral Afro-brasileira, presente em todo o Brasil, celebra mas também está empenhada em enfrentar os desafios presentes no mundo. A Escravidão hoje atinge 29 milhões de trabalhadores em todo o mundo. Um relatório recém-divulgado pela fundação Walk Free aponta que 29 milhões de pessoas no mundo ainda trabalham sob o regime de escravidão.

Para o cientista político Leonardo Sakamoto, que é coordenador da ONG Repórter Brasil e membro da Comissão Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, a escravidão ocorre quando a dignidade ou a liberdade são aviltadas. Condição degradante é aquela que rompe o limite da dignidade. São negadas a essas pessoas condições mínimas mais fundamentais, colocando em risco a saúde e a vida.

A Mauritânia ocupa o primeiro lugar do ranking de escravidão global, que analisou 162 países e leva em consideração o casamento infantil e os níveis de tráfico humano. Haiti, Paquistão e Índia vêm em seguida. No Brasil, 125 anos após a abolição da escravatura, milhares de pessoas ainda são submetidas a trabalhos em situação degradante. No entanto, há avanço na erradicação da prática. A primeira política de contenção do trabalho escravo é de 1995 e, de lá para cá, 45 mil pessoas foram libertadas de locais onde havia exploração desumana da mão de obra. Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda Constitucional para endurecer a lei. É a PEC do Trabalho Escravo e prevê o confisco de imóveis em que o trabalho escravo for encontrado e sua destinação para reforma agrária ou para o uso habitacional urbano.

Lucrativa, a escravidão moderna movimenta mais de US$ 32 bilhões, segundo a Organização Internacional do Trabalho. Estimativas da OIT também apontam que há 5,5 milhões de crianças escravas no mundo.

Como muito bem falou o Papa João Paulo II, aos afro-americanos, em 1992, em Santo Domingo: "A estima e o cultivo dos vossos valores Afro-americanos, enriquecerão infalivelmente a Igreja."

Em outras palavras, a novidade que a Igreja quer e merece é a inclusão em sua Ação Evangelizadora, das riquezas culturais e espirituais que emanam do Patrimônio africano e afro-descendente.

O processo de Cidadania do povo negro é uma dimensão essencial da vida e da Missão da Nossa Igreja Católica Apostólica Romana. A Igreja Católica no Brasil, fiel à missão de Jesus Cristo, está presente nesses importantes acontecimentos por meio de seus representantes e de suas orações. Exorta a todo o Povo de Deus a colocar-se a serviço da vida e da esperança, "acolher, com abertura de espírito as justas reivindicações de movimentos - indígenas, da consciência negra, das mulheres e outros - (...) e empenhar-se na defesa das diferenças culturais, com especial atenção às populações afro-brasileiras e indígenas" (CNBB, Doc. 65, nº 59).

Pastoral Afro-brasileira da CNBB

PARA DEUS NADA É IMPOSSÍVEL




A fé é o dom que recebemos no batismo; ela cresce em nós a ponto de se tornar operativa, não intelectual. "Acredito que Jesus pode curar e só". Não deve ser dessa forma, mas sim: "Estou convencido do poder curador do Senhor, de que minha fé me leva a ser instrumento d'Ele". Tudo isso depende de estarmos no Espírito Santo e permanecermos n'Ele.

Se eu pegar um copo e nele colocar água, um pouco de azeite, uma rolha e um pavio, farei uma lamparina de azeite. Por sua vez, se eu pegar só o pavio e puser fogo nele, em poucos segundos o pavio se consumirá. Contudo, se eu o deixar embebido no azeite e acendê-lo, ele ficará horas iluminando. Enquanto ele estiver embebido no azeite, produzirá luz e calor. Com cada um de nós ocorre o mesmo, tudo depende de permanecermos "embebidos" no Espírito. Ele, que possui todos os dons, manifesta-se em nós conforme a nossa necessidade.

"Quando voltaram para junto da multidão, alguém aproximou-se de Jesus, caiu de joelhos e disse: 'Senhor, tem piedade do meu filho. Ele tem crises de epilepsia e passa mal. Muitas vezes cai no fogo ou na água. Levei-o aos teus discípulos, mas eles não conseguiram curá-lo!' Jesus tomou a palavra: 'Raça incrédula e perversa, até quando estarei convosco? Até quando hei de aturar-vos? Trazei aqui o menino'. Jesus ameaçou o demônio e este saiu do menino, que ficou curado na mesma hora. Então os discípulos lhe perguntaram em particular: 'Por que não pudemos nós expulsar este demônio?'. Jesus respondeu-lhes: 'Por causa de vossa falta de fé. Em verdade vos digo: se tiverdes fé, como um grão de mostarda, direis a esta montanha: Transporta-te daqui para lá, e ela irá; e nada vos será impossível'" (Mt 17,14-20). 

Segue-se, então, a parte mais importante do Evangelho, no versículo 19: "Então, os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe perguntaram em particular: 'Por que nós não conseguimos expulsar o demônio?' Ele respondeu: 'Por causa da fraqueza de vossa fé!'" (Mt 17, 19b-20a).

Que é isso! Então, os apóstolos não tinha fé? Respondemos: "Claro que tinham!". Eles acreditavam em Jesus, que Ele era o Filho de Deus. Acreditavam que Jesus curava e expulsava demônios. Os discípulos acreditavam que o poder de Deus estava em Cristo. Prova disso é que foram à frente d'Ele, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, pregando, curando e vendo curas acontecerem.

Eles viram! Portanto, acreditaram. Porém, diante daquela situação, diante do menino naquele estado, não acreditaram. Eles se julgaram muito pequenos para aquilo, mas Jesus foi claro: "Por causa da fraqueza de vossa fé".

O Senhor continua: "Em verdade vos digo: se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a esta montanha: 'Vai daqui para lá', e ela irá. Nada vos será impossível" (Mt 17,20b). Jesus nem exige uma grande fé, da altura de uma montanha. Basta que a tenhamos do tamanho de um grão de mostarda e nos valhamos dela.

Podemos rezar assim: "Vem, Espírito Santo! Sei que o Teu amor já foi derramado sobre mim, mas, hoje, reinflama o carisma de Deus que está em mim. Quero usar o carisma do Senhor de acordo com a minha fé. Amém!".

Artigo extraído do livro 'Aspirais os dons espirituais', de monsenhor Jonas Abib.
www.cancaonova.com


quarta-feira, 19 de novembro de 2014

VOCÊ TEM ACREDITADO NOS SEUS SONHOS?



Nossos sonhos estão intimamente ligados à vida. Falar sobre eles mexe com nossas emoções e nossos sentimentos

Falar a respeito de sonhos exige uma maestria que talvez esteja além da que possuo. Porém, é justamente porque acredito no poder dos sonhos que me arrisco a tocar no assunto.

Nossos sonhos estão intimamente ligados à vida, por isso, falar sobre eles mexe com nossas emoções e nossos sentimentos, os quais podem estar ligados ao presente, ao passado ou relacionados ao futuro. Por isso, quando você leu a frase "Não deixe de sonhar", pode ser que isso lhe tenha despertado um sentimento de ânimo, que o encoraje a continuar lutando por seus sonhos e o faz ler um pouco mais; ou pode ser também, que tenha despertado um sentimento de frustração ligado ao fato de você ter sonhado muito no passado, e, hoje, viver uma realidade totalmente inversa a que desejou. Eu peço licença para entrar em seu coração, esteja como ele estiver, e convidá-lo para falarmos sobre o assunto com calma e sinceridade.

Um xícara de chá, um fim de tarde com vista para um lago ao pôr do sol seria meu cenário escolhido para nossa partilha. Mas vamos fazer bom uso do que temos, o coração tem o poder de nos levar além. Então, respire fundo, imagine a calma do entardecer e permita que a suave brisa da primavera o ajude a pensar nos seus sonhos.

Talvez, você precise fazer uma pequena viagem antes de começarmos a conversa. Então, coragem! Vá até seu baú de lembranças, abra com cuidado e recolha de lá seus sonhos de criança, pegue também os sonhos da adolescência, da juventude e todos os outros que encontrar. Traga tudo com cuidado e comece a rever um por um antes de falar qualquer coisa. Verá que alguns já não fazem sentido, pois estavam ligados às fantasias próprias da idade, enquanto outros continuam com todo sentido, embora estejam desbotados pelo tempo e amassados pelos acontecimentos. Então, sopre sobre eles com força e retire a poeira que tenta os encobrir. Pegue seus sonhos de volta, pois eles são seus e isso os faz preciosos, exclusivos e especiais. Nada nem ninguém neste mundo tem mais poder sobre eles do que você mesmo. Portanto, segure-os com firmeza e não dê a ninguém o direito de os destruir.

Tenho escutado muitos relatos de pessoas que deixaram de sonhar. As razões são diversas, mas o resultado, infelizmente, é o mesmo. A falta de esperança, o desânimo e o viver por viver têm inquietado meu coração, porque acredito que viver sem sentido, sem sonhos, sem esperança e alegria não é a vontade de Deus para ninguém. Quando, por inúmeras razões, alguém deixa de sonhar é como se, de certa forma, desistisse também de viver. Torna-se insatisfeito com tudo e com todos, não consegue se alegrar com o sucesso do outro, gasta muita energia procurando defeito em tudo; geralmente, não acha graça em quase nada nesta vida e está sempre se referindo ao passado ou ao futuro, nunca vive o presente. Conhece alguém assim? Tomara que você não diga: "sou eu"!

Mas se for seu caso, não se preocupe! Tem jeito! É possível voltar a sonhar e a viver plenamente com a ajuda do maior Sonhador que a humanidade já conheceu: Jesus Cristo! Ele passou por este mundo distribuindo sonhos e contagiando multidões. Eu faço parte do grupo d'Ele, fui cativada por Seu jeito de sonhar e, desde então, tento seguir Suas pegadas. Às vezes caio, mas Ele me levanta. Às vezes acerto, e Ele me aplaude. Às vezes erro, e Ele me espera. Com Sua graça retomo e tento seguir em frente. Aliás, é por isso que estou aqui convidando você para também segui-Lo.

Acredito que Deus nos criou para vivermos plenamente, por isso nos capacitou com a possibilidade de sonhar. Ele sabe que enquanto lutarmos para conquistar nossos ideais, experimentaremos uma alegria antecipada que nos move, enche-nos de esperança, o que é essencial para uma vida plena.

Quem sonha consegue ir além, vê nas adversidades a oportunidade para crescer e não para diante dos desafios. Quando olhamos para a história, vemos que as grandes conquistas mundiais passaram pelo coração de um sonhador. Podemos recordar, por exemplo, Thomas Edison, considerado o mais fértil inventor de todos os tempos. Ele criou o fonógrafo, a lâmpada elétrica, o projetor de cinema e aperfeiçoou o telefone. Mas precisou acreditar que tudo isso era possível, mesmo quando a maioria dos mortais afirmava que não daria certo. É graças a sua insistência em sonhar que hoje temos essas e outras preciosidades da ciência e da técnica a nosso favor. E você, tem acreditado nos seus sonhos e lutado por eles?

Há uma música do Juninho Cassimiro que diz: "Tudo o que é teu está no coração de Deus. Não deixe de sonhar, basta enfim acreditar…"

Foi ouvindo essa canção que comecei a rabiscar este texto. Tomara que, de alguma forma, ele o ajude a continuar acreditando em seus sonhos. Eu sei que esperar não é fácil, também faço parte do grupo que espera o cumprimento das promessas de Deus, mas o que não podemos fazer jamais é deixar de sonhar. Se enquanto estiver examinando o "baú de suas recordações", perceber que alguma coisa não deu certo, comece de novo sem medo.

Lembre-se de que você nunca está sozinho. Aquele que sonhou com você, antes mesmo de sua existência, estará ao seu lado dando-lhe a força necessária para cada instante. Se me permite, termino nosso encontro de hoje com um conselho: com relação aos seus sonhos, não se dê por vencido! As promessas de Deus para sua vida hão de se cumprir no tempo d'Ele e do jeito que for melhor para você. Para o Senhor tudo é possível, peça a Ele que renove sua esperança e o ajude a dar os passos certos na direção da vitória. Não deixe de sonhar!

Dijanira Silva
www.cancaonova.com

MEDITAÇÃO: FALAR COM DEUS




QUEREMOS QUE CRISTO REINE


– Instaurar todas as coisas em Cristo.

– A não aceitação de Cristo.

– Propagar o reinado de Cristo.

I. JESUS ESTAVA PERTO de Jerusalém e isso fez muitas pessoas pensarem que estaria iminente a chegada do Reino de Deus, um reino – conforme essa falsa opinião – de caráter temporal. O Senhor, imaginavam, entraria triunfalmente na cidade depois de vencer o poder romano, e eles teriam um lugar privilegiado quando chegasse esse momento. Esses sonhos, tão afastados da realidade, eram uma prolongação da mentalidade existente em muitos círculos judeus da época. Para corrigir a fundo essa mentalidade, Jesus expôs a parábola que o Evangelho da Missa de hoje nos relata1.

Um homem de origem nobre partiu para um país longínquo a fim de receber a investidura real. Era costume que os reis de territórios dependentes do Império Romano recebessem o poder real das mãos do Imperador, e às vezes tinham até que ir a Roma. Na parábola, este personagem ilustre deixou a administração do seu território nas mãos de dez homens da sua confiança e partiu para receber a investidura. Deu-lhes dez minas, um pequeno tesouro, para que o fizessem render: Negociai com eles até eu voltar. Esses homens cumpriram o encargo: emprestaram a juros, compraram e venderam. Trabalharam bem para o seu senhor por uma longa temporada...

Ora, é isso o que a Igreja continua a fazer desde o dia em que recebeu o imenso Dom do Espírito Santo – enviado por Cristo – e, com Ele, a infalível palavra de Deus, a força dos sacramentos, as indulgências... “Em vinte séculos, trabalhou-se muito; não me parece nem objetivo nem honesto – comentava o Bem-aventurado Josemaría Escrivá – a ânsia com que alguns querem menosprezar a tarefa dos que nos precederam. Em vinte séculos realizou-se um grande trabalho e, com freqüência, realizou-se muito bem. Em certas épocas, houve desacertos, recuos, como também hoje há retrocessos, medo, timidez, ao mesmo tempo que não faltam atitudes de valentia e generosidade. Mas a família humana renova-se constantemente; em cada geração é necessário continuar com o empenho de ajudar o homem a descobrir a grandeza da sua vocação de filho de Deus, e inculcar-lhe o mandamento do amor ao Criador e ao próximo”2. A vida é um tempo para fazer frutificar os bens divinos.

Corresponde-nos a cada um, a cada cristão, fazer render agora o tesouro de graças que o Senhor deposita nas nossas mãos, enquanto “vivificados e congregados no seu Espírito, caminhamos para a consumação da história humana, que coincide plenamente com o seu desígnio de amor: Restaurar todas as coisas em Cristo, as que estão nos céus e as que estão na terra (Ef 1, 10)”3. Esta é a nossa tarefa até o momento em que o Senhor volte para cada um, isto é, até o momento da nossa morte: procurar com empenho que o Senhor esteja presente em todas as realidades humanas. Nada é alheio a Deus, pois todas as coisas foram criadas por Ele, e para Ele se dirigem, dentro da autonomia própria de cada uma: os negócios, a política, a família, o esporte, o ensino...

Eis que venho depressa – diz hoje o Senhor –, e a minha recompensa está comigo, para retribuir a cada um segundo as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim4. Só nEle os nossos afazeres aqui na terra encontram o seu sentido. A Igreja inteira é depositária do tesouro de Cristo: quando cada um de nós luta por ser fiel aos seus deveres, aos compromissos que adquiriu como cidadão e como cristão, a santidade de Deus cresce no mundo.

II. ENQUANTO aqueles administradores fiéis procuravam com empenho fazer render o tesouro do seu senhor, muitos dos seus concidadãos aborreciam-no; e enviaram atrás dele uma embaixada encarregada de dizer: Não queremos que ele reine sobre nós. O Senhor deve ter introduzido com muita pena estas palavras no meio do relato, pois fala de Si mesmo: Ele é o homem ilustre que partiu para terras longínquas. Jesus via nos olhos de muitos fariseus um ódio crescente e a rejeição mais completa. Quanto maior era a sua bondade e maiores as provas de misericórdia que dava, mais crescia a incompreensão que se podia notar em muitos rostos. Essa rejeição tão frontal, que pouco tempo depois atingiria o seu ponto culminante na Paixão, deve ter sido muito dura para o Mestre.

O Senhor também quis aludir à recusa de que seria objeto ao longo dos séculos. Acaso é menor a que hoje se dá? São menores o ódio e a indiferença? Na literatura, na arte, na ciência..., nas famílias..., parece ouvir-se um alarido gigantesco: Nolumus hunc regnare super nos!, não queremos que Ele reine sobre nós! Ele, “que é o autor do universo e de cada uma das criaturas, e que não se impõe com atitudes de domínio, mas mendiga um pouco de amor, mostrando-nos em silêncio as suas mãos chagadas.

“Como é possível, então, que tantos o ignorem? Por que se ouve ainda esse protesto cruel: Nolumus hunc regnare super nos (Lc 19, 14), não queremos que Ele reine sobre nós? Há na terra milhões de homens que se defrontam assim com Jesus Cristo, ou melhor, com a sombra de Jesus Cristo, porque, na realidade, o verdadeiro Cristo, não o conhecem, nem viram a beleza do seu rosto, nem perceberam a maravilha da sua doutrina.

“Diante desse triste espetáculo, sinto-me inclinado a desagravar o Senhor. Ao escutar esse clamor que não cessa, e que se compõe não tanto de palavras como de obras pouco nobres, experimento a necessidade de gritar bem alto: Oportet illum regnare! (1 Cor 15, 25), convém que Ele reine [...]. O Senhor impeliu-me a repetir, desde há muito tempo, um grito silencioso: Serviam!, servirei. Que Ele nos aumente as ânsias de entrega, de fidelidade à sua chamada divina – com naturalidade, sem ostentação, sem ruído –, no meio da rua. Agradeçamos-lhe do fundo do coração. Elevemos uma oração de súditos, de filhos!, e a nossa língua e o nosso paladar experimentarão o gosto do leite e do mel, e nos saberá a favo cuidar do reino de Deus, que é um reino de liberdade, da liberdade que Ele nos conquistou (cfr. Gál 4, 31)”5.

Pôr-nos-emos a serviço de Cristo como nosso Rei e Senhor que é, como Salvador da Humanidade inteira e de cada um de nós. Serviam!, servirei, Senhor, é o que dizemos na intimidade da nossa oração.

III. DEPOIS DE ALGUM TEMPO, aquele senhor voltou com a investidura real e recompensou generosamente os servos que tinham trabalhado por fazer render o que haviam recebido; mas castigou duramente os que na sua ausência o tinham rejeitado, e sobretudo um dos administradores que havia perdido o tempo e não fizera render a mina que recebera. “O mau servo não se aplicou e nada devolveu; não honrou o seu amo e foi castigado. Glorificar a Deus é, pelo contrário, dedicar as faculdades que Ele me deu para conhecê-lo, amá-lo e servi-lo, e assim devolver-lhe todo o meu ser”6.

Este é o fim da nossa vida: dar glória a Deus aqui na terra pelo bom uso de todas as coisas que recebemos, e depois na eternidade, com a Virgem, os anjos e os santos. Se o tivermos sempre presente, que bons administradores seremos dos dons que o Senhor nos quis dar para com eles ganharmos o Céu!

“Nunca vos arrependereis de tê-Lo amado”, costumava dizer Santo Agostinho7. O Senhor é bom pagador já nesta vida quando somos fiéis. Que será no Céu! Agora temos que propagar o reinado de Cristo na terra, no meio da sociedade em que nos movemos; sentir-nos permanentemente responsáveis por dilatá-lo no ambiente em que nos desenvolvemos, a começar pela nossa família: “Não abandoneis os vossos pequenos; contribuí para a salvação do vosso lar com todo o esmero”8, aconselhava vivamente o santo bispo de Hipona.

Nestes dias, enquanto esperamos a Solenidade de Cristo Rei, podemos preparar-nos para ela repetindo algumas jaculatórias que venham a dizer: Regnare Christum volumus!, queremos que Cristo reine! E que esse reinado seja uma realidade em primeiro lugar na nossa inteligência, na nossa vontade, no nosso coração, em todo o nosso ser9. Por isso pedimos: “Meu Senhor Jesus: faz que eu sinta e secunde de tal modo a tua graça, que esvazie o meu coração..., para que o preenchas Tu, meu Amigo, meu Irmão, meu Rei, meu Deus, meu Amor!”10

(1) Lc 19, 11-28; (2) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 121; (3) Concílio Vaticano II, Constituição Gaudium et spes, 45; (4) Apoc 22, 12-13; (5) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, É Cristo que passa, n. 179; (6) Joseph Tissot, La vida interior, pág. 102; (7) cfr. Santo Agostinho, Sermão 51, 2; (8) Santo Agostinho, Sermão 94; (9) cfr. Pio XI, Carta Encíclica Quas primas, 11.12.25; (10) Bem-aventurado Josemaría Escrivá, Forja, n. 913.

FONTE:http://hablarcondios.org/pt/meditacaodiariaseguinte.asp

terça-feira, 18 de novembro de 2014

O DESAFIO DE EVANGELIZAR NA REDE SOCIAL

O desafio da Evangelização na rede


Retomando a citação do Papa Bento em que ele ressalta a missão da Igreja que é chamada a “... descobrir, também na cultura digital, símbolos e metamorfoses significativas para as pessoas, que possam ser uma ajuda para falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.”, faço uma breve reflexão.

Tenho experimentado a força deste espaço... Quanto bem tem levado a muitas pessoas, conhecidas ou não (esta é uma das múltiplas faces da cultura digital, que nos desafia e nos aproxima).

Evidentemente, tanto aqui como no contato pessoal, com pequenos grupos ou grande número de pessoas em Assembleias, a Palavra é a mesma a ser anunciada e deve ser feito sempre com o mesmo amor.

A cultura digital tem seu fascínio, seu encanto, mas não dispensa o contato pessoal. Impressionante a intuição e a coragem do Papa na busca da compreensão da cultura digital, mais ainda a motivação para que não nos furtemos dela, não sejamos omissos. Haveremos de ser criativos e usar os meios lícitos e pertinentes para comunicar a Boa Nova do Evangelho, sem jamais o trair.

Quais símbolos e metamorfoses significativas haveremos de descobrir e utilizar para que cada letra, cada palavra, cada texto postado ou quaisquer outros trabalhos maiores realizados favoreçam a conversão e a transformação das pessoas, como alegre sinal do Reino a ser anunciado e construído?

Como ajudar, através da cultura digital, a realização do homem contemporâneo sem jamais se distanciar da verdade de Jesus Cristo, da Igreja e do homem?

Por isto manifesto mais uma vez meu anseio que o leitor não apenas visite este blog, mas faça dele um momento forte de oração revitalizando-se no essencial de Deus que é o Amor, e assim amar como Ele ama.

O mundo será mais belo se aprendermos a amar como Deus nos ama, sem nenhum acréscimo e nenhuma complicação. Amar na medida do Amor de Deus, se é que podemos falar em medida...

Ter Sal em nós é preciso para dar ao mundo novo sabor. Ser Luz nas mais diversas situações obscuras, nas "cavernas sombrias e escuras" da existência. Não podemos esconder a luz sob a mesa, tão pouco deixar o sal perder seu sabor, há muito Ele nos advertiu. 

Anunciar a Boa Nova do Evangelho é preciso, sobre os telhados, como já anunciara o Senhor.

Quais os esforços que realizamos para a compreensão da cultura digital?

De que modo ela com seus símbolos e recursos beirando o infinito podem ajudar a tornar homens e mulheres mais felizes?

Como tornar na cultura digital o Evangelho verdadeiramente uma Boa Nova para homem e mulher contemporâneos?

Alguns princípios não podemos perder de vista, que são acima de tudo pautados no Evangelho e dentre os quais destacamos: amor, verdade, justiça, liberdade, fraternidade, comunhão, respeito, solidariedade, paz, felicidade...

Que a cultura digital não contratestemunhe a própria cultura, que consiste em criar laços de comunhão, no respeito às diferenças, promovendo a realização da pessoa consigo mesma, com o outro e com Deus.

Há um imenso mar a ser descoberto. E, assim é o mar: quanto mais profundo for o mergulho, mais belos e encantadores serão seus mistérios.


PS: Citação extraída da mensagem intitulada “Verdade, anúncio
e autenticidade de vida na era digital”.
BLOG: PADRE OTACILIO