terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

MENSAGEM DO PAPA PARA A QUARESMA



Fortalecei os vossos corações 
(Tg 5, 8)

Amados irmãos e irmãs,

Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). 

Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! 

Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! 

Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar.

Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença.

Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar.

A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). 

O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida.

Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação.

1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja.

Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentAmos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. 

Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés. Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem.

A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26).

A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. 

Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação.

2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades

Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)?

Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções.

Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. 

A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. 

Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897).

Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração.

Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens.

Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). 

Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira.

Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!

3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis

Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência?

Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração.

Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum.

E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos.

Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro.

Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença.

Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde!

Papa Francisco

Vivendo a Quaresma


Preparação de uma alma na 
Santa Quaresma do Senhor

Hoje, terça-feira, Véspera de Quarta-feira de Cinzas, vamos nos aprofundar sobre a Quaresma, que é um momento único e muito importante da liturgia cristã. 

Na Quaresma somos convidados a fazer exercícios espirituais de aperfeiçoamento de vida cristã. O centro destes quarenta dias de preparação está em torno de três palavras:

Jejum, Esmola e Oração

O Jejum é uma privação que fazemos, unindo-nos à Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo para pedir o perdão dos nossos pecados e também para alcançar graças especiais. O jejum não deve ser necessariamente de "pão e água", mas deve se adequar a nossa condição física e espiritual. Não podemos de forma alguma praticar um jejum rígido logo de início. Lembro-vos também que toda a prática espiritual deve ser orientada por um bom diretor espiritual, para que estas práticas não acabem indo contra a virtude e servindo a vaidade. Recordo-vos também de uma lei da Igreja que informa que o jejum só é obrigatório a partir dos 18 anos.

O jejum obrigatório que a Igreja exige do fiel católico, para amanhã (na Quarta-feira de Cinzas), trata-se de um jejum rígido mas, que não prejudica de forma alguma as faculdades físicas e espirituais do indivíduo. Ao acordar deve-se tomar café, mas de forma reduzida, cortando tudo pela metade. Ao invés de dois pães coma apenas um e ao invés de duas frutas coma apenas uma. O almoço deve ser feito de forma natural, o que não permite sobremesas e outras iguarias típicas de festas. O jantar deve ser feito de forma a 2/3 do habitual. É recomendável no jantar, uma sopa de legumes acompanhado de pães.

Amanhã temos também a abstinência de carne.

A abstinência de carne nos dias de jejum tem seu motivo primordial de provocar fome (habitualmente carnes de origem bovina, suína e aviaria). A carne em si, produz um prolongamento do processo de digestão, e por este motivo, não se faz o uso deste alimento em dias de jejum. 

O motivo do jejum é sentir fome e abster-se dos alimentos que causam prazer, unindo-nos assim a Paixão de Nosso Senhor. Ficam então, assim proibidas, comidas que contenham carne e calde de carne. A carne de peixe é permitida, pois o peixe é uma carne leve que o organismo humano tem grande facilidade para a digestão. 

Foi-se criado um número variado de lendas e mitos entorno deste tipo de abstinência. Esses mitos são provenientes pelo simples fato dos pais não saberem explicar o motivo pelo qual se come peixe nestes dias santos, e por isso, inventaram uma série de histórias para os filhos se sentirem obrigados a praticarem a abstinência. 

O motivo é muito simples, faz-se jejum nos dias de penitência para nos auto-castigar e implorar a misericórdia divina pelo perdão dos nossos pecados e para solicitar graças especiais. 

O jejum também é uma forma de colocarmos nossas vontades submissas a razão, libertando-as dos instintos e das concupiscências, sendo portanto uma forma de autodisciplina.

A prática da oração deve ser para o cristão um ato de respirar da alma. Assim como alimentamos o corpo com alimento e com oxigênio, assim a alma necessita de práticas de orações. Recomenda-se na Quaresma que as orações do cristão sejam redobradas para uma busca de maior aproximação do criador. As formas e práticas de orações são muito diversas: Contemplativa, oral, vocal e orações mentais. Podemos fazer orações contemplando uma imagem sacra ou através da imaginação. 

Antes das orações recomenda-se que o fiel se afaste dos pensamentos e preocupações da vida. Deve se dirigir a um local no mínimo silencioso e distante de qualquer interrupção. Pode ser feita de joelhos, em pé, sentado ou até mesmo deitado. 

Pode-se recorrer a utilização de uma imagem para ajudar o fiel a um estado de contemplação. O terço é uma forma de oração contemplativa. Nas orações contemplativas não importa muito a velocidade em que são recitadas as orações, mas sim, que nossos pensamentos estejam voltados exclusivamente a Deus Nosso Senhor. O importante na oração do rosário, por exemplo, é a contemplação dos mistérios do terço e não a quantidade de Pais-nossos e Ave-Marias. 

Estas orações que acompanham o rosário são como uma música de fundo desta prática tão rica e valiosa. Pode-se recorrer na contemplação através da música sacra. Alerto-vos para o uso da música, pois, muitos que se utilizam deste meio, acabam se tornando dependente deste instrumento, esquecendo o que realmente importa na prática contemplativa. Recomenda-se que durante a quaresma o fiel reze apenas os mistérios dolorosos do Santo Rosário, já que estamos nos preparando para a Grande Semana.

Na oração oral ou vocal, o importante é estarmos ciente da presença de Deus, e que estamos sendo ouvidos por ele. De início, faz-se necessário em primeiro lugar pedir perdão pelos nossos pecados para estarmos menos indignos da presença divina. 

Após o perdão solicita-se as graças a pedir, e em seguida os agradecimentos. É importante que o tom de oração vocal deve respeitar o ambiente e as condições do momento. Não devemos diante de uma igreja vazia ou até mesmo cheia fazer orações em tom elevado, lembrado o ensinamento do Divino mestre com relação aos fariseus que oravam em voz alta nas praças e lugares santos, o que parece piedade na verdade trata-se de uma prática de hipocrisia e vaidade. Sempre as orações em determinadas condições devem respeitar o silêncio e o mínimo de bom senso ao qual nos pede Cristo Nosso Senhor (Mateus 6, 5). 

As orações em tom elevado devem ser feitas, tanto nos lugares santos como nas ruas, em determinadas ocasiões em que a situação pede que assim o façamos. Numa procissão ou em uma oração do terço em nossas igrejas e capelas todos rezam juntos em voz elevada, pois são ocasiões em que é permitido um certo tom elevado de voz. Lembrando que não se deve elevar a voz acima dos demais presentes.

E por fim, temos a oração mental, que é muito semelhante a oração contemplativa, mas com características de oração vocal. A oração mental trata-se de certa forma, fazer com que a nossa mente fale no lugar de nossos lábios. Ao invés de falar, nós, simplesmente usamos a mente para pedir algo à solicitude divina. 

A oração mental é muito útil para que não incomodemos as pessoas que estão próximas. Quem deve ouvir nossas orações é Deus e não os demais presentes. Lembrando que na sua estrutura, a oração mental funciona da mesma forma que a oral, menos no que diz respeito na utilização dos lábios e da língua. Assim como diz o salmista, Deus conhece o mais íntimo do coração de cada um: "Senhor, vós me sondais e conheceis, sabeis quando me sento ou me levanto; de longe penetrais meus pensamentos" (Salmo 138, 1-2). 

A esmola pode ser melhor definida como a prática da caridade. Lembrando que a caridade não se trata apenas em dar coisas materiais, mas também coisas espirituais. A caridade também se trata de uma palavra de consolo ou uma ajuda. Não podemos nos omitir e sermos indiferentes aos sofrimentos e necessidades do próximo. Devemos ver a necessidade dos outros como as necessidades do próprio Cristo. 

Uma esmola significa, ajudar, acolher e ser cordial com as pessoas. No dia-a-dia devemos ser generosos e cordiais, para um dia sermos recompensados por Nosso Senhor. 

Lembremos da passagem do Evangelho: "Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvies daquele que te quer pedir emprestado. Tendes ouvido o que foi dito: Amarás o teu próximo e poderás odiar teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos [maltratam e] perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos. Se amais somente os que vos amam, que recompensa tereis? Não fazem assim os próprios publicanos? Se saudais apenas vossos irmãos, que fazeis de extraordinário? Não fazem isto também os pagãos? Portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito." (Mateus 5, 41-48).

A caridade não deve olhar a quem deve ser feito o bem. Devemos praticar o bem a todos sem exclusão. Recomendo-vos de ler o capítulos 5 e 6 de São Mateus no dia de hoje. 

Trata-se de uma ótima leitura para começarem a Quaresma refletindo sobre tudo isso que vos falo. A caridade pode ser feita através de visita a doentes e encarcerados. A caridade pode ser realizada aos desolados, desabrigados e aos órfãos. Caridade é amor. O verdadeiro amor que ensinou Cristo Nosso Senhor e que nos ensinou a amar até o fim.

A Quaresma

Apenas algumas explicações acerca da Quaresma.

São quarenta e seis dias, a contar da Quarta-feira de Cinzas até o Sábado Santo. Sendo que os domingos da Quaresma não são dias de Jejum e abstinência. Ou seja, se você pretende fazer algum tipo de abstinência lembre-se que o domingo deve ser exclusivo, não tolerando estas práticas. Totalizando então quarenta dias de jejum. Antigamente na sua origem, a Quaresma eram quarenta dias de abstinência de carne. Por isso o Carnaval ficou conhecido como a festa da carne. Eram dias de banquetes grandiosos antes do grande jejum em que todos já estavam fartos na Terça-feira gorda de Carnaval. Daí o nome "Adeus Carne" que é um dos significados da palavra Carnaval.

Se o caro leitor pretende entrar no clima Quaresmal com uma abstinência leve, recomendamos uma abstinência de algo que o caro fiel considera muito bom (Ex: Televisão, doces, sobremesas, refrigerantes ou até mesmo carne suína, bovina e aviaria). 

Nota do Pe. Alexandre: ainda podemos fazer jejum de internet, menos horas em frente ao computador; fazer jejum de whatsapp e passar mais tempo com a família e as pessoas que amamos, tem mulheres e maridos precisando serem beijados, tem filhos e pais que precisam se reencontrar no abraço sincero e fraterno. 

Abstenha-se do uso destes meios durante os próximos quarenta dias. Utilize uma folhinha para ajudar nesta grande jornada. Recomenda-se aos iniciantes que todos os dias rezem um Pai-nosso e uma ave-maria ao acordarem e antes do repouso noturno. Já para os que estão bem desenvolvidos espiritualmente, uma Via Sacra todas as Sextas-feiras ou o Terço todos os dias. Não exagere, se sabe que que não terá bom êxito, não inicie de cara com uma penitência extrema, pois o resultado será a frustração. 

A vida espiritual é um aperfeiçoamento conquistado pelo esforço de buscar mudanças. Nada com pressa sai como desejamos. Devemos ter o cuidado para que estas praticas de piedade não se torne um apelo de nossa vaidade.

Desejamos a todos os leitores do nosso blog, uma feliz e santa Quaresma. Que todos consigam utilizar este grande período para crescerem fortes na fé de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Fonte: http://emdefesadasantafe.blogspot.com.br/

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

QUARTA-FEIRA DE CINZAS


Oração do Agente de Pastoral


Senhor Jesus, Pastor e Amor da minha alma:

Sou como um simples tijolo, humilde, mas tão necessário na construção da vida, do mundo e do Teu Reino.

É tão bom ser chamado (a) para colaborar e ajudar na vida desta paróquia, ajudando com minhas limitações, os meus irmãos e irmãs a crescerem na Fé.

Ilumina-me, fortalece a minha Fé e faz com que eu consiga viver e transmitir os Teus ensinamentos, entendendo que só Tu és o meu melhor e maior exemplo de vida.

Tu me chamaste a ser Agente na Tua Igreja, na Tua comunidade que afinal é também a minha.

Às vezes, tenho medo de não saber corresponder e de não estar à altura do que esperas de mim. 

Mas, fui escolhido (a) pelo Senhor e sei que não estarei sozinho nesta caminhada, basta que eu olhe para o lado e verei que caminhas comigo.

Dá-me força, fica comigo Senhor Jesus. Amém.

A fé: felizes em tempos difíceis


Caríssimos irmãos e irmãs, a nossa existência é um grande presente de Deus; Ele nos escolheu para santificar-nos e santificar os outros. Será que vale a pena falar de santidade hoje? Será uma realidade totalmente distante da nossa? Santa Teresinha e os grandes santos se sentiram amados e este SENTIR deve ser à base de nossa experiência de Deus. Quais são as verdadeiras motivações de nossa vida?
Experimentar Deus é buscar a santidade. Santo é aquele (a) que consegue o total equilíbrio no contato com Deus e com os irmãos dentro de sua realidade. Não posso dizer que amo a Deus e me esquecer do meu irmão; essa pessoa também é imagem do Pai.
O experimentar Deus, passa pela via também das provações, das dores, das decepções, das angústias e do sofrimento, porém esses sentimentos não são eternos, mas o Deus que nos ama e nos chama, Esse sim é eterno e nos trará a felicidade depois de cada decepção, de cada queda. Sua Mão firme e forte está sobre nós e não nos abandonará.
“Se existo é porque sou amado (a)”. Esta deve ser à base de nossa existência e, podemos afirmar que foi esta a realidade marcante da vida de Teresinha. Precisamos criar uma nova sensibilidade para nos sentirmos amados e viver um novo dinamismo no amor. Pela oração teremos a certeza de qual é a vontade de Deus em nossas vidas.
A experiência verdadeira de Deus, sempre irá nos levar á uma experiência do irmão que está ao nosso lado. Quem é este irmão? É o pobre? É o marginalizado? É o doente? É aquele que chega pela primeira vez na nossa comunidade ou que já está na nossa comunidade ou na família e, nós ainda não o percebemos?
Sim, são todos estes e os demais que passarem por nossa vida! São todos os irmãos e irmãs que Deus pôs e pões constantemente no nosso caminho e, por isso, precisam, assim como nós, de acolhimento, de carinho e da nossa paciência.
Pedimos a doce intercessão da Santíssima Virgem, Mãe de Cristo e Mãe do cristão, rogamos a graça de viver a nossa fé, não só por palavras, mas por gestos de comunhão e fraternidade. Mesmo que os tempos sejam difíceis e os desafios cada vez maiores, vamos seguindo em frente, confiantes que a Divina Misericórdia nos protegerá e dará a força necessária para sermos os filhos e filhas que Deus quer.
Que este mesmo Deus de bondade esteja ao seu lado e conceda a cada dia um teto sobre sua cabeça, um muro contra os ventos, um sorriso para que lhe sirva de consolo e um coração onde possa se sentir amado.
No Coração da Mãe os coloco neste tempo da graça que o Senhor nos concede. Nossas orações a você e sua família. Confiança! Deus está conosco. Com nossa bênção fraterna.

Pe. José Alexandre

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O jejum e a abstinência


Com o intuito de fazer penitência por nossos pecados, de melhor nos dispor para a oração e de estar unidos aos sofrimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Santa Igreja nos pede, nos tempos de penitência, que ofereçamos jejum e abstinência a Deus. 

O Jejum: 

Praticado desde toda a Antiguidade pelo povo eleito, como sinal de arrependi­mento, praticado por Nosso Senhor Jesus Cristo e por todos os santos, recomendado pela Santa Igreja como instrumento de santificação da alma, de controle do corpo e equilíbrio emocional, o jejum obrigatório foi sendo reduzido ao longo dos séculos. 
Quando devemos jejuar por obrigação?

Na Quarta-feira de cinzas, abertura da Quaresma 
Na Sexta-feira Santa, dia da morte de Nosso Senhor. 

No entanto, todos os católicos devem ter a mortificação e o jejum presentes em suas vidas ao longo do ano, principalmente durante o Advento, a Quaresma e nas Quatro Têmporas, tendo sempre o espírito mortificado, fugindo do excesso de conforto e prazeres e, na medida do possível, oferecendo alguns sacrifícios a Deus, seja no comer, no beber, nas diversões (televisão principal­men­te), nos desconfortos que a vida oferece (calor, trabalho, etc.), sabendo suportar os outros, tendo paciência em tudo. 

Assim sendo, mesmo não sendo obrigatório, continua sendo recomendado o jejum nas Quartas e Sextas da Quaresma e do Advento, guardando-se sempre o espírito pronto para as pequenas mortificações também nos demais dias. 

Quem deve jejuar? 

As pessoas maiores de 21 anos são obrigadas. Mas é evidente que os adolescentes podem muito bem oferecer esse sacrifício sem prejuízo para a saúde. 

Quanto às crianças menores, mesmo alimentando-se bem, devem ser orientadas no sentido de oferecer pequenos sacrifícios, e acompanhar a frugalidade das refeições. 
As pessoas doentes podem ser dispensadas (é sempre bom pedir a permissão ao padre) 
As pessoas com mais de sessenta anos não têm obrigação de jejuar, mas podem fazê-lo se não houver perigo para a saúde. 

Como jejuar nos dias de jejum obrigatório? 

- Café da manhã mais simples que de hábito: uma xícara de café puro, um pedaço de pão, uma fruta. 
- Almoço normal, mas sem carne (peixe pode), sem doces e sobremesas mais apetitosas, sem bebidas alcoólicas ou refrigerantes. 
- No jantar, um copo de leite ou um prato de sopa, um pedaço de pão, uma fruta. 

São inúmeras as passagens das Sagradas Escrituras referentes ao jejum. Eis algumas poucas referências: 

II Reis XII,16 
Tobias XII,8 
Daniel I, 6-16 
S. Mateus IV,1 
S. Mateus VI, 17 
S. Mateus XVII,20 
Atos XIV,22 
II Coríntios VI,5 

A Abstinência de carne 

Dentro do mesmo espírito de mortificação, pede-nos a Santa Madre Igreja a mortificação de não comer carne às sextas-feiras, o ano todo, de modo a honrar e adorar a santa morte de Nosso Senhor. (ficam excluídas as sextas-feiras das grandes festas, segundo a orientação do padre). 

A abstinência ainda é praticada e, diferente do jejum, começa desde a adolescência, a partir dos quatorze anos. 

Nas sextas-feiras do ano, e mais ainda durante os tempos de penitência, saibamos oferecer esse pequeno sacrifício a Nosso Senhor. Se vamos a um restaurante, peçamos peixe (muitos restaurantes ainda hoje servem pratos de peixe nas sextas-feiras). 

O Jejum eucarístico 

O jejum eucarístico é o fato de se comungar sem nenhum alimento comum no estômago, em honra à Santíssima Eucaristia. 

O espírito do jejum eucarístico é de receber a Santa Comunhão como primeiro alimento do dia. Quando o Papa Pio XII modificou a disciplina do jejum eucarístico, devido à guerra, salientou que todos os que podiam deviam praticar esse jejum, chamado natural : só tomar alimento depois da comunhão. Quem assiste à Santa Missa cedo pode, muitas vezes, praticar esse jejum. 

Apesar da lei eclesiástica em vigor determinar apenas uma hora antes da comunhão para o jejum eucarístico, todos os padres sérios pedem a seus fiéis que se esforcem para deixar três horas, visto que uma hora não chega a ser nem mesmo um sacrifício. 

Caso as crianças ou pessoas debilitadas precisarem tomar algo antes da comunhão, com menos de três horas, procurem, ao menos, tomar apenas líquido, um copo de leite, por exemplo. Porém, tendo se alimentado com menos de uma hora antes da hora da comunhão, não se deve, de modo algum, se aproximar da Sagrada Mesa. 

O jejum, a abstinência e o confessionário 

Como o jejum e a abstinência fazem parte dos mandamentos da Igreja, devemos nos empenhar para praticá-los por amor de Deus. Caso haja alguma negligência ou fraqueza da nossa vontade que nos leve a quebrar o santo jejum ou a abstinência, devemos nos arrepender por não termos obedecido ao que nos ordena nossa Santa Madre Igreja, confessando-nos por termos assim ofendido a Deus. 

Nos casos de esquecimento, devemos substituir essa obra por outra equivalente, como fazer o jejum em outro dia, rezar um terço, etc. 
É sempre bom lembrar que a água pura não quebra o jejum. 

As pessoas inclinadas à mortificação e ao jejum não devem nunca determinar um aumento de penitência sem o consentimento explícito do sacerdote responsável. O demônio usa muito o excesso de penitência corporal para enfraquecer a alma. Tudo fazer na obediência. 

Fonte:http://www.capela.org.br/