terça-feira, 10 de março de 2015

Vivendo a Quaresma


A fé em Jesus Cristo

«Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigênito, para que todo o homem que acredita n’Ele não pereça, mas tenha a vida eterna», nos diz o Evangelho deste domingo IV da Quaresma (João, 3,14-21). O que significa acreditar em Jesus Cristo? Trata-se não só de aceitar os seus ensinamentos, mas de aderir à própria pessoa de Jesus, compartilhando a sua vida e o seu destino, participando na sua obediência livre e amorosa à vontade do Pai. Pela graça do Espírito Santo, unimo-nos a Jesus e tornamo-nos conformes a Ele, procurando segui-lo, “para termos nele a vida eterna”.

«Se alguém quer vir após de Mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mc 8, 34). Como discípulos de Cristo, devemos assumir a sua atitude de obediência filial ao Pai e aos seus desígnios de salvação, que O levaram à Cruz e à Ressurreição: «Apesar de ser Filho, aprendeu a obedecer, sofrendo, e, uma vez atingida a perfeição, tornou-se para todos os que Lhe obedecem fonte de salvação eterna» (Carta aos Efésios).

Cristo é a salvação e a esperança para cada homem. Nós estamos chamados a anunciá-Lo com a nossa existência diária; devemos ser “sal” e “luz” para os homens e as mulheres de hoje; com a nossa vida exemplar devemos refletir a luz de Cristo e ser “fermento” de esperança para a humanidade; devemos ser luz e conforto para cada pessoa que encontremos no nosso caminho.

«Ele deu a sua vida por nós; por isso, também nos devemos dar a vida pelos nossos irmãos…Filhinhos, não amemos com palavras nem com a língua, mas com obras e com verdade» (1 João 3,16.18).

Mas é impossível amar como Cristo amou, se Ele mesmo não ama em nós; é impossível seguir Cristo Jesus, se Ele mesmo não vier viver dentro de nós: «Isto não vem de vós, é dom de Deus; não se deve às obras e ninguém se pode gloriar» nos ensina a 2ª leitura de hoje (Efésios 2,4-10). Comunicando-nos o Espírito Santo, Ele entra na nossa existência e vive conosco, a tal ponto que cada cristão possa dizer com S. Paulo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim» (Gálatas 2, 20).

“O Batismo configura radicalmente o fiel a Cristo no mistério no mistério pascal da morte e Ressurreição, revestindo-o de Cristo. A participação na Eucaristia, Sacramento da Nova Aliança, é o vértice da assimilação a Cristo, fonte de vida eterna, princípio e força do dom total de si mesmo” (João Paulo II, Veritatis Splendor, 21).

Escutando a Palavra e recebendo os Sacramentos com fé, o cristão é transformado na imagem de Cristo; ele irradia e é reflexo de Cristo, como Cristo é a imagem perfeita do Pai e O manifesta ao mundo (Cfr. 2 Coríntios 3, 18; 4.4).

As diversas experiências de vida cristã integram-se e mantêm-se reciprocamente no interior da comunidade dos fiéis; o seguimento de Cristo, em concreto, acontece na Igreja e atesta que nela Cristo está sempre vivo e presente. Membros vivos do novo Povo de Deus, estamos a caminho da eternidade e Deus está sempre conosco. É este o grande motivo e a causa da nossa alegria. Caminhemos, pois, para a Páscoa com fé viva e espírito generoso (Cfr. Coleta).

Que a Virgem Maria nos acompanhe sempre neste esforço quaresmal de identificação com Cristo.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller

http://www.encontrocomobispo.org

Venha adorar ao Senhor!


domingo, 8 de março de 2015

VIVENDO A QUARESMA



PECADO RENOVA A 
PAIXÃO DE JESUS CRISTO


Rursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei, et ostentui habentes ― “Eles outra vez crucificam o Filho de Deus para si próprios e o expõem à ignomínia” (Heb 6, 6)

Sumário. Quem comete o pecado, contraria todos os desígnios amorosos de Jesus Cristo, inutiliza para si os frutos da Redenção, e, como diz São Paulo, pisa o Filho de Deus aos pés, despreza e profana seu sangue e renova a sua paixão e morte. 

Portanto, especialmente neste tempo de carnaval o Senhor é cada dia crucificado milhares de vezes. Imagina que são tantos os Calvários quantos são os antros do pecado. Ai, meu pobre Senhor!

I. Considera a grandíssima injúria que o pecado mortal faz à Paixão de Jesus Cristo. O intuito do Filho de Deus, em fazer-se homem, foi tirar o pecado do mundo; a este fim, como diz Isaías, colimavam todos os seus pensamentos, palavras, obras e sofrimentos: Et iste omnis fructus, ut auferatur peccatum (1) ― “Este é todo o seu fruto, que seja tirado o pecado“. 

Pois bem, quem peca, inutiliza para si este grande fruto da Redenção e contraria assim todos os desígnios e intentos amorosos do Redentor. ― Se o pecado é acompanhado de escândalo, contraria-os também para os outros, fechando, por assim dizer, em despeito de Cristo, para si e para o próximo, as portas do céu e abrindo as do inferno.

Mais, o pecador, como diz São Paulo, pisa aos pés o Filho de Deus, despreza e profana o seu preciosíssimo Sangue, chega até ao excesso de renovar a sua crucifixão e morte: Rursum crucifigentes sibimet ipsis Filium Dei ― “Crucificando outra vez o Filho de Deus para si próprios“. Isto, na interpretação de Santo Tomás, se verifica de duas maneiras. Primeiro, pecando se faz aquilo pelo que Jesus Cristo foi crucificado, a saber, o pecado. 

Portanto, se a morte do senhor não houvera sido suficiente para expiar os pecados todos, fora conveniente, pelo encargo de Redentor, que tomou sobre si, que se deixasse crucificar tantas vezes quantos são os pecados cometidos. 

Em segundo lugar, pelo pecado comete-se uma ação mais abominável aos olhos de Jesus e mais dolorosa para seu Coração do que todos os opróbrios e penas padecidas na sua Paixão e por isso de boa vontade quisera tornar a sofrê-las afim de impedir um só pecado mortal.

É assim que, especialmente neste tempo de carnaval, o Senhor é crucificado pelos pecadores milhares de vezes cada dia. Imagina, pois, que são tantos os Calvários, quantos são os antros do pecado, ou melhor, quantas são as almas pecadoras. Ah, meu pobre Redentor!

II. Na vida de Santa Margarida Alacoque se lê que num dos dias que antes de principiar a Quaresma são consagrados ao prazer, Jesus Cristo se lhe mostrou todo rasgado de feridas e coberto de sangue. Tinha a cruz nos ombros e com voz triste e queixosa disse: “Não haverá ninguém que tenha compaixão de mim e queira compartilhar comigo as dores que sofro por causa dos pecadores, especialmente nestes dias?” Ouvindo isso, a Bem-aventurada lançou-se aos pés de seu divino Esposo e ofereceu-se a sofrer em união com Ele, pelo que o Senhor a carregou de uma cruz pesadíssima.

Imitemos na medida de nossas forças à Santa Margarida, desagravando o Coração de Jesus. Nestes oito dias ouçamos com devoção uma missa, façamos ao menos uma comunhão reparadora, e, não só com o nosso exemplo, mas também com palavras, excitemos os outros a fazerem o mesmo. 

No correr do dia, digamos muitas vezes: + Meu Jesus, misericórdia (1). Enquanto os outros só pensam em distrair-se com divertimentos mundanos, procuremos, mais do que de ordinário, fazer companhia a Jesus sacramentado, ou recolhidos em nossa casa aos pés de Jesus Cristo, compadecer-nos dele pelas muitas ofensas que Lhe são feitas.

Tenhamos por certo que estes obséquios são muito agradáveis ao Coração divino, mas, para que Lhe sejam mais agradáveis ainda, formemos a intenção de os unirmos com os merecimentos do Redentor e de toda a corte celestial, dizendo muitas vezes: + “Eterno Pai, nós Vos oferecemos o sangue, a paixão e a morte de Jesus Cristo, as dores de Maria Santíssima e de São José, para satisfação de nossos pecados, em sufrágio das almas do purgatório, pelas necessidades da santa Madre Igreja e pela conversão dos pecadores”[2].

1. Is 27, 9.

2. Indulgência de 300 dias cada vez.

3. Indulgência de 100 dias. ― Aos obséquios indicados podem acrescentar-se os seguintes:

1º. Percorrer cada dia as estações da Via Sacra, ou sufragar de outra forma aquelas almas do purgatório que em vida mais se esforçaram por desagravar a Jesus Cristo, no tempo de carnaval.

2º. Em todo este tempo, fazer com mais perfeição e fervor as ações ordinárias, em particular as que se referem diretamente ao serviço de Deus.

3º. Finalmente, visto que Deus é ofendido especialmente pelos excessos no beber e comer e pelos pecados de impureza, mortificar mais do que em outros tempos o apetite, tanto na qualidade como na quantidade da comida, e, com licença do Diretor, alguma penitência corporal.

Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo I – Santo Afonso
Fonte: http://catolicosribeiraopreto.com/

sábado, 7 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher

MULHER, CORAÇÃO DA FAMÍLIA

Domingo próximo, dia 8, será o dia internacional da mulher, razão de falarmos da dignidade especial daquela que é o coração da família. Sua dignidade há que ser ressaltada, pois a crise atual da família atinge especialmente a mulher. 

“Na nossa época, o matrimônio e a família estão em crise. Vivemos numa cultura do provisório, na qual cada vez mais pessoas renunciam ao matrimônio como compromisso público. Esta revolução nos costumes e na moral agitou com frequência a ‘bandeira da liberdade’, mas na realidade trouxe devastação espiritual e material a numerosos seres humanos, de maneira especial aos mais vulneráveis. É cada vez mais evidente que o declínio da cultura do matrimônio está associado a um aumento de pobreza e a uma série de numerosos outros problemas sociais que atingem em medida desproporcional as mulheres, as crianças e os idosos. E são sempre eles quem mais sofre nesta crise” (Papa Francisco, Discurso aos participantes no encontro internacional sobre a complementaridade entre homem e a mulher, 17/11/2014).
Foi o cristianismo que salvou a dignidade da mulher! A história, nos testemunhos de Juvenal e Ovídio, nos conta que a moral sexual e a fidelidade conjugal, antes do cristianismo, estavam em extrema degradação. 

Constatamos isso, vendo atualmente a situação da mulher nos povos que não têm o cristianismo. No começo do século II, Tácito afirmava que uma mulher casta era um fenômeno raro. Galeno, o médico grego do século II, ficava impressionado com a retidão do comportamento sexual dos cristãos. 

Os próprios historiadores são obrigados a confessar que foram os cristãos que restauraram a dignidade do matrimônio. O cristianismo estendeu o conceito de adultério também à infidelidade do marido, pois no mundo antigo ele só se limitava à infidelidade da esposa. 

O cristianismo santificou o matrimônio, elevando-o à ordem de

sacramento, proibindo o divórcio, que prejudica, sobretudo, a mulher. 

O cristianismo, ao contrário da mentalidade machista, iguala o pecado do homem e da mulher: o sexto e o nono mandamentos valem igualmente para os dois.

As mulheres encontraram na Igreja, conforme a sua própria condição, seu lugar digno: foi-lhes permitido formar comunidades religiosas dotadas de governo próprio, dirigir suas próprias escolas, conventos, colégios, hospitais e orfanatos, coisa impensável no mundo antigo (cf. Thomas E. Woods Jr, “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”)

O homem e a mulher são seres humanos, em grau igual, ambos criados à imagem de Deus. Mas, “a igualdade de dignidade não significa ser idêntico aos homens. Isso só empobrece as mulheres e toda a sociedade, deformando ou perdendo a riqueza única e valores próprios da feminilidade. 

Na visão da Igreja, o homem e a mulher foram chamados pelo Criador para viver em profunda comunhão entre si, conhecendo-se mutuamente, para dar a si mesmos e agir em conjunto, tendendo para o bem comum com as características complementares do que é feminino e masculino” (S. João Paulo II, Mensagem sobre a mulher, 26/5/1995).

*Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Feliz dia das mulheres




Mulher religiosa

Quão maravilhosa e invejável é a sorte da mulher religiosa! Seus dias são enflorados de júbilo; sua vida recende a amor; esposo, filhos, servos respeitam-na e acarinham-na; a todos inspira cega confiança, porque firmemente creem na fidelidade de quem é fiel é Deus. A fé admirável desta cristã fortifica-se pela felicidade; e a felicidade pela fé; crê em Deus, porque é feliz; é feliz porque crê em Deus.

Basta a qualquer mãe ver sorrir o filhinho, para convencer-se da existência de uma felicidade suprema. Virgem, esposa, mãe ou filha, a mulher cristã é sempre um agente de Deus nas obras de Seu amor. Deus fê-la bálsamo de todas as dores, alívio de todas as tristezas, amparo de todas as venturas, e não há uma só miséria na vida, de que Deus não tenha feito a mulher, o anjo libertador.

É de Frederico Ozanam (fundador dos Vicentinos) este pensamento admirável: “O papel das mulheres cristãs é semelhante ao dos anjos da guarda. Podem dirigir o mundo se ficarem invisíveis como eles”.

Pode-se assegurar, sem temor, que a fortuna ou a desgraça, a ilustração ou a ignorância, a civilização ou a barraria do mundo dependem em grande parte do poder exercido pela mulher no seu reino espiritual – o lar doméstico.

A mulher deve ser como a palha miúda com que se encaixotam as porcelanas, palha que não se conta, que não se pesa, palha que mal se vê, palha de quem ninguém se apercebe – e sem a qual se quebraria tudo.

Subtraído ao influxo, não passageiro e cego, mas permanente, racional, da mulher, nunca o homem chega a ser verdadeiramente ilustrado e culto. A mulher superior não é aquela que triunfa nas letras, nas ciências ou nas artes, nem a que brilha na sociedade, mas a que ilumina o seu lar.

Fonte: http://almascastelos.blogspot.com.br 

Autor (D.) – Lendas do Céu e da Terra.
Foto: Pintura de Eugenio di Blaas (1845-1931)